Por: Carlos Faria

Sentir Medo Nos Faz bem

O noticiário nos informa sobre os últimos crimes e acidentes ocorridos no país e no mundo. O jornalista alerta que a população já não suporta mais viver com tanto MEDO e exige uma solução das autoridades. Mas é exatamente a correta interpretação do medo que pode evitar que alguém se torne vítima da violência ou de um acidente. O segredo está em aprender a diferenciar o medo real, que é útil, do medo imaginário, que é prejudicial a vida das pessoas.

O medo é um sentimento de grande inquietação diante do perigo. Causa-nos sensações desagradáveis decorrentes de reações químicas que despejam em nosso organismo grandes cargas de hormônio, levando-nos a reagir a esse impulso por meio de ações de ataque ou de fuga. As fontes óbvias de perigo são muito fáceis de identificar, como o fogo, um animal agressivo, um recipiente com a indicação de produto tóxico no rótulo, entre outros.

 Mas como identificar o perigo que está oculto nos ambientes que fazem parte do nosso cotidiano? Como identificar que estamos em perigo perante pessoas que aparentemente não nos causaria nenhum mal?  O medo imaginário é aquele que, apesar de nos causar más sensações e até reações físicas de repulsa, sabemos que não podem nos causar nenhum mal.

 São inúmeros os relatos das pessoas, relacionados aos medos imaginários, desde o medo de insetos, como baratas e lagartixas até o pavor de palhaços e personagens do cinema e televisão. No outro extremo temos então o medo real, ou seja, o medo de tudo que pode de fato nos causar dor, sofrimento, danos e perdas. Nessa categoria podemos citar o medo de viajar de avião, o medo da violência e da

criminalidade, o medo da perda de alguém que amamos, entre outros. Ao sabermos separar claramente o medo real do medo imaginário já demos um passo importante para fazer com que o medo ajude-nos em nossa proteção.

 Em estudos mais aprofundados com vítimas de violência e de acidentes, constatou-se que a sensação de medo se inicia mesmo antes da pessoa perceber conscientemente de que está exposta a iminência de um ato danoso. São os “Sinais de Alerta” que surgem de maneira muito sútil e não são percebidos pela maior parte das pessoas.

 Muitos a denominam de “Intuição” outros de “Premonição”, o que são variações da mesma coisa, ou seja, a capacidade de antever os indicativos de perigo que nos cercam. Em estudos com vítimas de violência sexual, o psicólogo e ex-agente do FBI, Gavin de Becker, relata no seu livro “VIRTUDES DO MEDO – Sinais de Alerta que nos Protegem da Violência”, constatar por meio de técnicas de regressão consciente, que a vítima recebe previamente os “Sinais de Alerta” de que seria atacada.

 Desenvolver habilidade para antever atos de violência ou a iminência de acidentes requer disposição para leitura de livros dedicados a interpretação de expressões faciais, gestos e comportamento humano, bem como de participação em palestras e cursos a respeito. É algo a ser desenvolvido por quem se interessa pelo tema. Componentes das melhores equipes de inteligência e segurança do mundo são treinados nesse sentido. Conhecer esses conceitos e a sua aplicação prática pode ser muito útil para nos proteger contra a violência e acidentes evitáveis.


  

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