Por: Carlos Faria

Tragédias Anunciadas

Tem crescido a quantidade de casos de agressão, e até mesmo de morte, entre moradores de condomínios residências pelo país.

Na cidade de Atibaia – SP em julho de 2012 um comerciante de 40 anos de idade foi morto a tiros pelo vizinho, piloto de avião com 59 anos após discussão por excesso de velocidade do agressor.

Em maio desse ano, em um edifício residencial na região de Alphaville – SP, um jovem casal foi morto pelo vizinho de 62 anos, que em seguida se suicidou. O motivo: barulho.

Em julho desse ano o síndico de 85 anos de um edifício no bairro do Leblon, na cidade do Rio de Janeiro, teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e morreu após brigar com um morador de 70 anos que não concordava com uma norma do síndico em que proibia os moradores deixarem suas chaves na portaria do condomínio.

Esses casos, e muitos outros que não foram noticiados pela imprensa, tem pontos em comum. As tragédias não foram casos fortuitos, mas sim o resultado de alguns episódios anteriores que mereciam mais atenção por parte dos síndicos, das administradoras e dos conselheiros dos condomínios.

O próprio noticiário informa que ocorreram brigas graves antes das agressões fatais, que não receberam a atenção necessária para evitar tamanha tragédia. 

Diferente do que muitos podem imaginar, esses casos ocorreram em condomínios residenciais de alto padrão em bairros nobres e muito valorizados pelo mercado imobiliário.

As pessoas envolvidas não eram criminosos, mas gente de bem que, em um momento de fúria e de forma irracional cometeram crimes.

Morar em coletividade exige esforços das pessoas no sentido de cumprir regras de convivência, respeitando o direito do outro e prol do respeito aos seus próprios direitos. É algo óbvio, mas nem sempre aceito pelos moradores de condomínios residenciais.

Para todos aqueles que se ocupam de administrar e gerenciar os condomínios (voluntariamente ou profissionalmente) lhes compete desenvolver habilidades de negociação dos conflitos, que são inevitáveis em grupos de humanos.

Promover fóruns internos de debate sadio, sobre as necessidades do condomínio, assim como intervir ao primeiro sinal de crise entre moradores são algumas das inciativas que o síndico deve ter em sua pauta de trabalho.

Por vezes ouvimos que um acontecimento fatal era uma “tragédia anunciada”. Ora, se era “anunciada” então poderia ter sido evitada!

Todo acidente, ou mesmo crime, é o resultado de um encadeamento de condições e acontecimentos previsíveis e identificáveis, desde que se esteja atento aos sinais e os interprete sem exageros e de forma isenta.

Espero que artigo seja útil aos administradores de condomínios e moradores, evitando novas tragédias. 

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